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Inovações no Manejo do Câncer Colorretal: Evidências Diagnósticas e Intervenções Comportamentais do ASCO GI 202

  • 16 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 2 de fev.




A avaliação diagnóstica e o manejo multidisciplinar da carcinomatose peritoneal têm sido continuamente aprimorados por meio de estratégias que buscam reduzir procedimentos invasivos desnecessários e otimizar a seleção de candidatos à cirurgia citorredutora. Nesse contexto, o DISCO Trial (Diffusion-Weighted Imaging for Selection of Cytoreductive Surgery Candidates) avaliou pacientes com suspeita de carcinomatose peritoneal, randomizando‑os para estadiamento por imagem com difusão ou abordagem cirúrgica direta. A partir de pontos de corte do Peritoneal Cancer Index (PCI) — <15 como indicação para cirurgia, ≥15 como indicação para discussão multidisciplinar e >24 como contraindicação cirúrgica — o estudo demonstrou que o uso sistemático da ressonância magnética com difusão proporcionou redução aproximada de 16% nas cirurgias fúteis, além de uma queda significativa na taxa de procedimentos “open‑and‑close” (de 14% para 6,9%).


Tais resultados corroboram a alta concordância entre o PCI estimado por imagem e o PCI cirúrgico, reforçando o valor da avaliação radiológica avançada na tomada de decisão. Esses achados têm implicações clínicas relevantes, incluindo diminuição de morbidade, melhor alocação de recursos, início mais rápido da terapia sistêmica quando indicada e potencial melhora na qualidade de vida dos pacientes ao evitar intervenções cirúrgicas desnecessárias.


Além dos avanços diagnósticos, outro eixo relevante apresentado no ASCO GI 2026 diz respeito à incorporação de intervenções comportamentais baseadas em evidências, especialmente no âmbito da atividade física em pacientes com câncer colorretal. O estudo destacado avaliou indivíduos com doença localizada e metastática, examinando desfechos como fadiga e qualidade de vida. Os resultados reproduziram achados previamente demonstrados no CHALLENGE Trial (2025), que investigou um programa supervisionado de exercícios em sobreviventes de câncer colorretal estágio II–III.


No CHALLENGE, a prática estruturada de atividade física resultou em redução significativa da fadiga relacionada ao câncer, melhora da qualidade de vida e tendência à redução do risco de recorrência, especialmente entre pacientes que alcançaram níveis mais altos de atividade física moderada a vigorosa. De forma semelhante, os dados apresentados em 2026 reforçaram uma relação dose‑dependente, na qual maior intensidade e regularidade dos exercícios associaram‑se a benefícios progressivos nos desfechos avaliados.


Essas evidências redorçam a importância de uma abordagem estruturada, com orientação qualificada e acompanhamento contínuo, tanto para incentivar a prática regular quanto para promover a intensificação progressiva da atividade física de acordo com a capacidade funcional de cada paciente. Essa estratégia é particularmente relevante em um cenário no qual intervenções comportamentais de baixo custo podem gerar impacto substancial na experiência do paciente, na funcionalidade e possivelmente nos desfechos oncológicos.


Em conjunto, os estudos apresentados no ASCO GI 2026 ressaltam a necessidade de integrar, de maneira sistemática, métodos diagnósticos avançados e intervenções comportamentais baseadas em evidências na rotina do cuidado de pacientes com câncer colorretal. Tanto o uso de técnicas modernas de imagem para estadiamento preciso quanto a implementação de programas de atividade física supervisionada representam caminhos promissores para aprimorar o manejo multidisciplinar, reduzir toxicidades, otimizar desfechos clínicos e melhorar a qualidade de vida dos pacientes ao longo de sua trajetória terapêutica.

 
 
 

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