GLP‑1 e Câncer Colorretal: Novas Evidências em Prevenção e Melhora de Desfechos
- 17 de nov. de 2025
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Atualizado: 2 de fev.

Novas evidências apresentadas no ASCO Gastrointestinal Cancers Symposium 2026 sugerem que medicamentos agonistas do receptor GLP‑1 — a exemplo da tirzeparida (Mounjaro®) - amplamente utilizados para diabetes tipo 2 e perda de peso — podem ter efeitos adicionais relevantes na prevenção e no prognóstico do câncer colorretal. Diversos estudos observacionais, baseados em grandes bancos de dados de saúde, apontam para um possível papel desses fármacos tanto na redução do risco da doença quanto na melhora da sobrevida de pacientes já diagnosticados.
Redução potencial do risco de câncer colorretal
Um dos estudos destacados comparou usuários de agonistas de GLP‑1 com usuários de aspirina, medicamento tradicionalmente estudado para prevenção primária do câncer colorretal. Utilizando dados da plataforma TriNetX — que reúne informações de mais de 150 milhões de pacientes nos Estados Unidos — os pesquisadores formaram duas coortes pareadas por escore de propensão, cada uma com mais de 140 mil participantes.
Os resultados mostraram que o uso de agonistas de GLP‑1 esteve associado a uma redução de aproximadamente um terço no risco de desenvolver câncer colorretal em comparação com aspirina. Entre grupos considerados de alto risco, seja por fatores de saúde ou por histórico familiar, a diminuição do risco foi ainda mais pronunciada. O benefício apareceu independentemente da presença de obesidade ou diabetes, embora tenha sido mais marcante entre pessoas que iniciaram a terapia antes dos 45 anos.
Quando analisados individualmente, apenas alguns medicamentos dentro da classe — como semaglutida, liraglutida e dulaglutida — apresentaram associação consistente com menor incidência da doença.
Perfil de segurança favorável
O comparativo entre agonistas de GLP‑1 e aspirina também mostrou diferenças nos eventos adversos. Usuários de aspirina tiveram taxas mais altas de sangramento gastrointestinal, úlceras e lesão renal aguda. Já pacientes em uso de agonistas de GLP‑1 apresentaram maior frequência de sintomas gastrointestinais como diarreia e dor abdominal, efeitos já conhecidos dessa classe de medicamentos.
Para os pesquisadores, o conjunto de dados sugere um possível impacto em saúde pública, mas destacam que estudos prospectivos — ensaios clínicos planejados especificamente para essa finalidade — ainda são necessários.
Impacto em pacientes já diagnosticados com câncer colorretal
Outro estudo apresentado avaliou se o uso de agonistas de GLP‑1 em pessoas já diagnosticadas com câncer colorretal poderia influenciar a evolução da doença. Novamente usando o banco TriNetX, os pesquisadores compararam pacientes em uso de GLP‑1 com pacientes de perfil semelhante que não utilizavam esses medicamentos. Em uma janela de acompanhamento de 10 anos, o uso de GLP‑1 se associou a uma redução de mais da metade na mortalidade por todas as causas, sem diferenças significativas no risco de desenvolvimento de metástases.
Resultados semelhantes foram apresentados por um grupo da Mayo Clinic, que estudou especificamente pacientes com câncer de cólon e obesidade. Nesse grupo, além de menor mortalidade geral, os usuários de agonistas de GLP‑1 também tiveram menor risco de algumas complicações graves, como infarto, sepse e necessidade de ventilação mecânica.
[07:47, 02/02/2026] Marcelo Fiamoncini: Melanoma em Ascensão: Avanços, Desafios e Impactos na Saúde Pública
As projeções mais recentes indicam que o número de novos casos de melanoma continua aumentando de forma significativa. Para 2026, estima-se um crescimento de aproximadamente 10,6% no número de diagnósticos, totalizando mais de 230 mil casos apenas nos Estados Unidos. Desse total, cerca da metade corresponde a melanomas invasivos, enquanto a outra metade representa casos in situ, que permanecem restritos às camadas superficiais da pele. Os dados também mostram que os casos não invasivos continuam ocorrendo mais frequentemente em homens do que em mulheres.
Especialistas em dermatologia destacam que uma parte importante desse aumento pode estar associada ao maior acesso a exames dermatológicos, ao uso crescente de métodos de rastreamento refinados (como dermatoscopia e mapeamento corporal) e ao aumento no número de biópsias. Essa tendência gera, ao mesmo tempo, vantagens e desafios: embora seja possível identificar lesões em estágios muito precoces — algumas das quais poderiam evoluir para formas agressivas — ainda não existem ferramentas suficientemente precisas para distinguir quais lesões iniciais realmente representarão risco ao longo do tempo.
Nos últimos 10 anos, o número de melanomas invasivos diagnosticados anualmente cresceu quase 50%. Entre os fatores que podem explicar esse aumento estão o envelhecimento populacional, a maior conscientização sobre o câncer de pele e o aprimoramento dos recursos diagnósticos. Apesar de o melanoma ser mais comum em faixas etárias mais avançadas, casos em pacientes jovens também continuam sendo identificados.
Um aspecto positivo é que, apesar do crescimento na incidência, a mortalidade por melanoma vem caindo de forma consistente: cerca de 3% ao ano entre homens e 2% ao ano entre mulheres. Essa melhora é atribuída principalmente aos avanços no tratamento de fases avançadas, como terapias-alvo e imunoterapias. Ainda assim, milhares de mortes relacionadas ao melanoma são esperadas para 2026.
Outro ponto de preocupação é o impacto das redes sociais na disseminação de desinformação sobre protetor solar. Especialistas alertam que discursos infundados que questionam a segurança ou eficácia do produto podem levar parte da população a reduzir seu uso — o que, no longo prazo, pode contribuir para o aumento de cânceres de pele evitáveis.
Por fim, dermatologistas enfatizam que o sistema atual de triagem pode gerar pressão sobre os serviços especializados e, paradoxalmente, dificultar o acesso de pacientes de maior risco. Para o futuro, sugerem uma abordagem mais direcionada, baseada em estratificação de risco e uso de tecnologias que ajudem a otimizar quem realmente precisa de avaliação presencial, com o objetivo de evitar tanto o subdiagnóstico quanto o excesso de intervenções desnecessárias.




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